Duas figuras do EaD
No post anterior, referi que a minha grande influência no EaD é o Comandante Ferreira da Silva, por ter com ele aprendido muito e trabalhado. No entanto, para este post resolvi escolher duas figuras internacionais: escolho Holmberg e Moore, pela importância das suas teorias no desenvolvimento e evolução do EaD.
HOLMBERG fala-nos da didatic guided conversation. De acordo com este autor, a interacção e a comunicação são aspectos fundamentais do EaD ea comunicação neste tipo de ensino consiste numa conversa didáctica guiada.
Holmberg refere a necessidade de uma instituição organizadora do processo de EaD e refere que “a interacção entre o aluno e a instituição é simultaneamente simulada e real: simulada na interacção entre os alunos e os materiais e real no que diz respeito à interacção entre eles e os conselheiros e tutores” (Fonseca, 1999).
Este processo de comunicação, ao ser fortalecido aumenta a motivação dos alunos para aprender.
Esta teoria revela, então a importância da relação pessoal professor/aluno neste tipo de ensino. Para que a aprendizagem aconteça, torna-se essencial um envolvimento pessoal por parte do aluno, o que resulta numa maior motivação e disponibilidade para aprender.
Holmberg, na sua teoria, considera então, 3 conceitos fundamentais na conversa didática guiada:
- Comunicação não contínua
- implicação emocional
- auto-estudo.
Por comunicação não contínua entende-se a comunicação entre professor e aluno quando estão separados no espaço e no tempo.
A implicação emocional é considerada por Holmberg a aprendizagem verdadeira: o aluno só aprende verdadeiramente “através de um processo de interiorização” (Fonseca, 1999).
E, por último, o facto deste autor considerar que a educação deve possibilitar que o aluno adquira autonomia completa.
Ao falarmos em autonomia, temo que, quase, que obrigatoriamente referir MOORE. Para este autor, o facto do EaD ser um tipo de ensino em que alunos e professores se encontram separados, os alunos deverão ser autónomos.
De acordo com Moore, existem 3 variáveis que interferem no processo de ensino/aprendizagem a distância:
- Diálogo
-Estrutura
- Distância transaccional.
Diálogo entre o aluno e o professor e a instituição. Estrutura do curso e dos materiais disponibilizados. E distância
transaccional que resulta no balanço entre a estrutura e o diálogo. O EaD não é unicamente caracterizado pela separação entre o professor e o aluno, sendo, “sobretudo um conceito de natureza pedagógica que procura descrever a conjunto das relações professor/aluno quando estes estão separados no espaço e/ou no tempo” (Silva, 2000). a distância acaba por não ser somente uma variável geográfica, mas antes comunicacional, cabendo à instituição formadora desenvolver capacidades de possibilidade e diálogo com os alunos, reduzindo, assim a distância transaccional.
Estas duas teorias são aqui referidas de forma breve, mas julgo poder tirar uma conclusão sobre algo que une ambas: a importância da interacção entre o aluno e o professor, o aluno com outros alunos e o aluno e os materiais.
Se existir uma boa base de comunicação e diálogo, se os materiais forem bem preparados e possibilitarem a “presença” ainda que irreal do professor quando o aluno estuda e, se a estrutura do curso permitir a interacção com outros alunos, a distância sentida acaba por diminuir. O aluno não se sente tão desamparado e sozinho, sabendo que existe sempre alguém com quem pode falar e tirar dúvidas.
O processo de aprendizagem a distância torna-se, assim, mais “simples” e a motivação e envolvimento por parte do aluno será maior.
Referências para este post:
Fonseca. J. (1999). A educação à janela. A educação a distância em Portugal: potencialidades e vulnerabilidades. Dissertação de Mestrado em Ciências da Educação. Universidade Católica Portuguesa. Lisboa
Silva, A.F. (2000). O espaço pedagógico do ensino a distância. CNED. Lisboa.
Silva, A. F. O controlo do aluno no ensino a distância. CNED. Lisboa

Mais uma adepta do wordpress
é um sistema excelente e em constante desenvolvimento
Relativamente às tuas escolhas, estive quase a optar pelo Moore também, mas depois … fui para outro lado
Olá!
Valorizei particularmente o reforço que se faz aqui no tocante à autonomia. E como é ela é um atractivo fundamental no EaD.
Boa escolha:)
Moore é sem dúvida uma referência na EaD com as suas contribuições. Ele considera a existência de:uma distância transaccional, esta distância transaccional depende de dois factores – do diálogo entre o mestre e o aprendiz e da estrutura ou seja do programa de ensino/aprendizagem, tendo em conta o aprendiz; e de uma autonomia do aprendiz.
Mónica Velosa