O EaD – ideias pessoais
Quando penso em Ensino a Distância ocorrem-me expressões que todos nós conhecemos:
“anytime, anywhere”
“in your own place, at your own pace”.
E para mim esta é uma das principais características do EaD: a flexibilidade de quem aprende, que é também o conceito que acompanha esta modalidade de ensino desde o início, apesar das evoluções que tem sofrido. Não nos devemos esquecer do ensino por correspondência, designada 1ª geração do EaD, ou o estudo independente, onde ainda não existia um conceito de interacção e rede entre os participantes, mas antes um estudo solitário, em casa.
Depois, ouvimos, então, falar da rádio, da TV, das tele e audioconferências e do próprio aparecimento das universidades abertas como parte da evolução do EaD (2ª geração). Por último, temos a geração digital, das redes e do multimédia, que nos fornecem as ferramentas e meios para o EaD como nos é mais familiar hoje em dia.
Tenho que referir que quando me é pedida a minha definição de EaD, é-me dificil deixar de lado tudo aquilo que aprendi quando, pela primeira vez, contactei com este tipo de ensino. A nível pessoal e profissional, a grande figura do EaD, é para mim o Comandante Ferreira da Silva, ex- Director do Centro Naval de Ensino de Ensino a Distância, quando, acabada de sair da Faculdade muito me ensinou sobre esta modalidade de ensino. O Cmdt. não é um teórico, mas é alguém que sabe como aplicar (e aplica), as grandes teorias do EaD e, é, por este motivo um modelo para mim.
Sempre ouvi o Cmdt. dizer que EaD não é eLearning… e honestamente, acho que hoje em dia está toda a gente muito voltada para o eLearning, esquecendo-se das outras formas de EaD que existem e que não requerem acesso à Internet. Porque apesar de acharmos o oposto, Portugal ainda é dos países com o menor número de utilizadores de Internet… caso o EaD se concentrasse apenas no eLearning, não estaríamos nós a limitar o acesso ao conhecimento?
O eLearning é parte do EaD!
O que é afinal, para mim, o EaD?
Pegando na definição de EaD da Penn State Department of Distance Education, ” a educação a distância não é simplesmente a
adição de tecnologia ao ensino, mas o uso da tecnologia de forma a tornar possível novas abordagens ao processo de ensino/aprendizagem”. De facto, penso que não basta pesquisarmos uns textos interessantes e enviarmos por correio ou email ou colocar online, num qualquer website. EaD é mais do que isso! O aluno a distância necessita também de uma relação pedagógica, não apenas com os materiais, mas também com o tutor/professor e com os colegas. A motivação para aprender é totalmente diferente quando todos estes aspectos são cuidados e pensados. Não devemos pensar em dar o mesmo texto a um aluno do ensino presencial e a um aluno do ensino a distância. O aluno presencial tem o professor à frente. Para o aluno do ensino a distância é essencial “encontrar o professor nos materiais”.
Outra das principais características do EaD é, então, a distância espacio-temporal entre o professor/tutor e o aluno. Keegan (1996), no seu livro Foundations of Distance Education, resume assim as características do EaD:
1. A quase-permanente separação entre professor e aluno ao longo do processo de aprendizagem
2. A influência de uma organização, quer no planeamento e preparação dos materiais para aprendizagem, quer na prestação de serviços de apoio a essa aprendizagem
3. O uso de tecnologias – impressão, áudio, vídeo ou computador – para estabelecer a ligação entre professor e aluno e suportar os conteúdos do curso.
4. O estabelecimento de canais de comunicação bidireccionais através dos quais o aluno pode estabelecer o diálogo
5. A quase-permanente ausência de trabalho de grupo ao longo do processo, embora se possam realizar reuniões para fins didácticos ou de socialização através de sessões presenciais ou utilizando meios de comunicação síncrona.
Apesar de ter mais de 10 anos, considero que esta definição apresenta as principais diferenças entre o ensino presencial e o ensino a distância. No entanto, com o uso cada vez maior das tecnologias, como o computador, algumas das limitações do EaD foram sendo ultrapassadas, como por exemplo, a dificuldade dos trabalhos de grupo. Nós, enquanto mestrandos do curso da Universidade Aberta, sabemos que tal é possível. É complicado, em termos de organização, uma vez que somos todos adultos, com diferentes actividades profissionais e a viver em diferentes países, com diferentes sistemas horários, mas ao tomarmos decisões quanto à estratégia a adoptar, tudo fica mais facilitado. Penso que esta necessidade de estratégia inicial é mais consciente no aluno a distância do que no aluno presencial.
O EaD é, para além de uma modalidade de ensino, um desafio! Um desafio para os alunos e para os professores.

Gostei de ler o teu texto. Reforço a ideia de que pode parecer que com o desenvolvimento tecnológico as outras dimensões do trabalho educativo possa ser descurada. Mas as novas tecnologias, boas e evoluídas, são um meio e só isso, ensinar/formar/educar é uma tarefa mais ampla.
Ah, e considero as imagens muito bem colocadas. Ajudam a ler e perceber texto.
O Comandante Ferreira da Silva é, efectivamente, uma figura incontornável no EaD de 2ªGeração em Portugal.