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CAEL – Avaliação Online

Comentário aos seguintes artigos no âmbito da disciplina “Concepção e avaliação em E-Learning”:


BARBERÀ, E. (2006) “Aportaciones de la tecnología a la e-Evaluación”. RED. Revista de Educación a Distancia, Año V. Número monográfico VI. http://www.um.es/ead/red/M6/

PRIMO, Alex (2006) “Avaliação em processos de educação problematizadora online”. In: Marco Silva; Edméa Santos. (Org.). Avaliação da aprendizagem em educação online. São Paulo: Loyola, v. , p. 38-49. http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/EAD5.pdf


Ambos os textos acima referidos nos fazem pensar acerca da avaliação que fazemos enquanto professores/formadores. De facto, o nosso sistema educativo dá ainda muita primazia à avaliação final, de resultados, sendo a avaliação contínua quase que uma opção do professor. A atribuição de testes para notas finais, em que o aluno demonstra aquilo que aprendeu respondendo a perguntas feitas pelo professor, prevalece relativamente à construção do conhecimento por parte do próprio aluno.

O autor do primeiro texto, Primo, faz referência a um tipo de aprendizagem por interrogação, em que o aluno se questiona e procura soluções/respostas para o problema que coloca.

Claro que é necessário ter em consideração que os alunos aprendem de formas diferentes. Há alunos que se sentem mais motivados a tirar apontamentos nas aulas e estudar em casa o que o que foi dito pelo professor. Outros, para alem disso, procuram ainda outras fontes de informação relativamente ao tema em causa. Outros há que  preferem discussões, interrogar os seus próprios pontos de vista e o dos outros.

Perante tantas formas de aprendizagem, a avaliação não pode responder da mesma forma a todas elas. A avaliação tem que dar oportunidade a todos os tipos de aprendentes.

O facto do professor optar por uma avaliação contínua, em vez de se focar apenas numa avaliação final, com vista aos resultados e não aos processos, põe de lado todo o trabalho que os alunos mais críticos desenvolvem ao longo da sua caminhada de aprendizagem.

O surgimento das TIC e a importância cada vez mais dada ao E-Learning traz diferentes formas de aprendizagem e avaliação. Alunos e professores têm disponíveis uma panóplia de ferramentas de aprendizagem e o trabalho cooperativo é cada vez mais valorizado a partir do uso destas ferramentas. A cooperação, a interacção e discussão com colegas ou especialistas na matéria são fonte de motivação para o investimento no processo de aprendizagem. O aluno tem a possibilidade de discutir pontos de vista, de pensar num direcção diferente da sua.

A avaliação tem que, por sua vez, acompanhar esta evolução. Num ambiente de aprendizagem online o professor não se pode apenas focar no trabalho final que o aluno apresenta: a avaliação contínua é primordial. Para alem de permitir que o aluno seja avaliado justamente, não apenas a nível do resultado, mas também a nível da forma como atingiu os resultados, como possibilita que o aluno seja avaliado pelos pares e pense, ele próprio, no processo como a sua aprendizagem foi feita. A utilização de ferramentas de aprendizagem online para o desenvolvimento de tarefas escolares e formativas contribui assim para a auto-avaliação, hetero-avaliação e avaliação por parte do professor.

Como refere o segundo texto, a avaliação também permite aprender. O aluno reflecte a partir da avaliação que teve. Para alem disso, o aluno pode ainda aprender durante o processo de avaliação, já que é feita toda uma reflexão, individualmente e em grupo, acerca das matérias dadas e da performance e progresso do próprio aluno (pelo aluno, pelos colegas e pelo professor).

No entanto, existem também aspectos negativos quanto á utilização extrema deste tipo de avaliação contínua e colaborativa. Da mesma forma que alguns alunos não se integram tão bem num sistema escolar empirista, de repetição e valorização de resultados finais, outros alunos preferem o trabalho individual. Estes poderão ter alguma dificuldade em se ajustarem a um processo de ensino/aprendizagem de colaboração online. A internet também permite uma aprendizagem mais solitária, de pesquisa, questionamento e procura individual de respostas. Mas a avaliação, neste caso, teria que ser uma avaliação menos centrada na colaboração em grupo. O professor avalia o resultado do aluno, podendo também avaliar o seu processo de desenvolvimento de aprendizagens, já que apesar do aluno privilegiar o trabalho individual, o professor pode fazer o seu acompanhamento. A avaliação é feita pelo professor, mas o aluno pode também auto-avaliar-se, reflectindo sobre o que fez e o que poderia ter feito de forma diferente.

Terá que existir um balanço. Primo, enquanto defensor de uma aprendizagem mais colaborativa online não coloca totalmente de lado o trabalho individual. Por conseguinte, a avaliação online não deve totalmente desconsiderar os resultados e o trabalho que cada aluno desenvolveu individualmente cujo processo não foi “auscultado” um grupo. Esse balanço deverá estar no uso combinado de formas e instrumentos de avaliação. Porque é que avaliar o processo invalida a avaliação dos resultados? E vice-versa.

A aprendizagem e a avaliação são dimensões bastante complexas que não se devem restringir a apenas uma forma ou um meio. Sendo os alunos que se sentam numa sala de aula tão heterogéneos quanto os alunos que por detrás de um computador pesquisam, discutem, relatam, porque não acompanhar essa heterogeneidade?

A verdade é que o professor também não podem arranjar tantos modos de avaliação quanto o número de alunos que tem que avaliar. O professor pode, no entanto, conjugar. Já vimos que a avaliação tem diversas dimensões (podendo avaliar a aprendizagem, ser utilizada para a aprendizagem, como aprendizagem e a partir da aprendizagem) que trazem benefícios tanto para o professor como para os alunos. Ambas as avaliações contínua e final podem ser enquadradas nestas dimensões, proporcionando assim um carácter mais justo e diversificado a este processo, o que vai influenciar a própria motivação para a aprendizagem dos alunos.

Janeiro 11, 2010 - Publicado por | Uncategorized | , , ,

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